Semana passada o Google fez o I/O 2026, e como de costume, soltou uma enxurrada de novidades. Gemini Spark, Gemini 3.5 Flash, a maior transformação da Busca em 25 anos, AI Inbox no Gmail, óculos Android XR… O pacote completo do “futuro chegou”.
Só que teve um detalhe que passou batido por muita gente enquanto os portais tech focavam no brilho dos lançamentos. No mesmo evento, o Google mudou silenciosamente a forma como seus planos de IA funcionam. E não foi pra melhorar a sua vida.
O lado bonito do palco
Vamos aos fatos. O Google anunciou o Gemini Spark, um agente de IA que funciona 24 horas por dia e toma ações em seu nome nos produtos Google. Tipo um assistente pessoal que nunca dorme. Também lançou o Gemini 3.5 Flash, o novo modelo padrão focado em código e tarefas complexas, e o Gemini 3 “Thinking” para criação de texto, imagem e vídeo. Como escrevi num post anterior sobre o Gemini Spark se antecipando às suas necessidades, a proposta é tentadora — mas tem um preço.
A Busca do Google prometeu sua maior reformulação em 25 anos, com respostas geradas por IA no topo dos resultados. O AI Inbox no Gmail agora extrai tarefas e rascunha respostas automaticamente. E o Daily Brief te dá um resumo matinal puxando informações do seu Gmail, calendário e conversas no Gemini.

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Parece lindo, certo? Futurista, prático, aquela sensação de que a tecnologia finalmente tá trabalhando pra você.
O lado que ninguém lê nos termos de uso
Aí vem a parte que me incomoda. No meio de tanto anúncio, o Google revelou que está matando os limites diários de prompts e migrando tudo para um modelo de “compute-based”. Traduzindo: cada coisa que você faz no Gemini agora tem um peso diferente.
Um prompt de texto simples gasta pouco. Agora, gerar imagens, processar vídeos, codar com agentes — tudo isso consome muito mais do seu limite. O resultado? Aquela cota que antes durava o mês inteiro agora pode evaporar em uma semana se você usar as funções que eles mesmos lançaram no I/O. Na prática, como eu já comentei num outro post sobre o que o Google realmente quer com essa transformação, a direção é clara: mais funcionalidades, menos autonomia.
E quando você estoura? O sistema te joga automaticamente para modelos menores. Mais lentos, menos capazes. A experiência que venderam no palco simplesmente some.
O antes e depois dos planos
Olha a dança das cadeiras que o Google fez com os preços. Pra ficar mais claro, montei uma tabela:

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| Modelo Antigo | Modelo Novo | Diferença |
|---|---|---|
| Limites diários fixos de prompts | Cota “compute-based” | Perde o controle do uso |
| AI Ultra: US$ 250/mês | AI Ultra: US$ 200/mês | Mais barato, 20x mais limite |
| Não existia | Novo AI Ultra: US$ 100/mês | Tier intermediário |
| Sem top-up | Créditos pagos extras | Estourou, pague mais |
| Modelo único | Queda pra modelo menor | Experiência degradada |
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O que isso significa na prática
O Google te vende um produto dizendo que agora você tem agentes que trabalham por você 24 horas, que a IA entende imagem, vídeo, código, que a Busca vai te responder diretamente. Daí, nos bastidores, muda a régua de consumo pra que cada uma dessas funções novas pese mais no seu bolso.
Não é coincidência. É estratégia de negócio. Apresenta o feature incrível, todo mundo se empolga, depois descobre que o plano que pagava não dá conta. A saída? Migrar pro plano mais caro ou comprar créditos extras. Quem acompanhou a disputa entre Google Spark e ChatGPT já viu que esse movimento não é novo — é a mesma lógica de sempre.
Vimos esse filme antes. A Netflix com as mudanças de plano. O Spotify com os limites de download. O iCloud com o espaço que nunca é suficiente. Agora é a vez da IA virar o novo produto que vive em constante escassez.
Não é contra o Google, é contra o modelo
Não vou crucificar o Google aqui — OpenAI e Anthropic fazem a mesma dança. O ChatGPT Pro também tem lá seus limites. O Claude também ajusta planos. O problema é o padrão: as big techs lançam IA cada vez mais poderosa, mas o acesso real a essa potência é cada vez mais caro.
A tecnologia avança, os modelos ficam mais capazes, mas o poder de uso do consumidor comum anda pra trás. Você paga mais caro (ou o mesmo preço) pra ter menos autonomia. O modelo de negócio virou: “liberamos o superpoder, mas você só usa se pagar por ele a cada estouro de limite”. Pra quem quiser se aprofundar, o pessoal do 9to5Google fez uma cobertura bem detalhada das mudanças nos planos.
E aí, cê já sentiu na pele?
Se você usa Gemini, ChatGPT ou qualquer IA com plano pago, provavelmente já sentiu a diferença. O plano rende menos do que rendia? Os limites tão acabando mais rápido? Conta aqui nos comentários qual tem sido sua experiência — quero saber se é impressão minha ou se o aperto é geral.
Esse post foi escrito em colaboração com Hermes, meu parceiro de IA nas horas vagas. Mas a indignação é toda minha.





