Em duas semanas de abril de 2026, a Anthropic fechou três acordos que somam 13,5 gigawatts de capacidade computacional reservada: 3,5 GW numa expansão da parceria com Google e Broadcom, mais 5 GW adicionais do Google e até 5 GW da Amazon. Para ter ideia do tamanho: segundo o Poder360, 1 gigawatt equivale ao consumo de cerca de 700 mil residências, o mesmo que uma cidade de 1,8 milhão de habitantes. Treze gigawatts e meio é energia suficiente para abastecer um país pequeno inteiro.
Esses acordos ajudam a explicar o salto de valuation que já mostramos por aqui: a Anthropic chegou perto de US$ 965 bilhões em poucos meses. Mas o que foi negociado de verdade, o que são essas TPUs que aparecem em toda notícia sobre IA, e por que isso chega até o Brasil? É isso que vamos destrinchar.

O que aconteceu: três acordos, 13,5 gigawatts
Tudo começou em 6 de abril de 2026, quando a Anthropic anunciou uma expansão do acordo com Google e Broadcom: 3,5 gigawatts de capacidade adicional em TPUs, as Tensor Processing Units do Google, com entrada em operação prevista para 2027. O acordo amplia uma parceria de outubro de 2025 que já garantia mais de 1 gigawatt. Krishna Rao, CFO da Anthropic, chamou o movimento de continuação de uma abordagem disciplinada de escalar a infraestrutura.
Dezoito dias depois, em 24 de abril, veio a segunda parte: o Google anunciou que vai investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, sendo US$ 10 bilhões imediatos e mais US$ 30 bilhões condicionados a metas de desempenho, segundo o TechCrunch. O aporte avaliou a empresa em US$ 350 bilhões e garantiu mais 5 gigawatts de capacidade em TPU pelos próximos cinco anos. No mesmo pacote, a Amazon colocou US$ 5 bilhões na mesa por até mais 5 gigawatts de capacidade.
Por trás disso está uma demanda que, segundo a própria Anthropic, explodiu nos últimos meses: a receita anualizada saltou de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para mais de US$ 30 bilhões, com mais de 1.000 clientes empresariais gastando acima de US$ 1 milhão por ano em Claude.
TPU não é GPU, e essa diferença vale bilhões
TPU significa Tensor Processing Unit, um chip que o Google projeta sob medida para treinar e rodar modelos de IA, diferente das GPUs da Nvidia que dominam o mercado. Fechar com o Google resolve dois problemas de uma vez: a Anthropic reduz a dependência de um único fornecedor de chips, numa fila de espera por GPUs Nvidia que é longa e cara, e o Google, que também desenvolve o Gemini, ganha um cliente gigante pagando para ocupar a capacidade dos seus próprios data centers. A Broadcom entra como parceira no desenho desses chips sob medida.
1 gigawatt = quantas casas? A conta da energia
Voltando à conta do início: se 1 gigawatt abastece cerca de 700 mil residências, o equivalente a uma cidade de 1,8 milhão de habitantes segundo o Poder360, os 13,5 gigawatts reservados pela Anthropic representam, juntos, algo perto de 9,5 milhões de residências em consumo de energia. É esse o tamanho da estrutura elétrica que precisa existir para que você converse com o Claude, o Gemini ou o ChatGPT sem perceber atraso.

O Brasil também está nessa conta
Esse apetite por energia não fica só nos Estados Unidos. No Brasil, o projeto Rio AI City, da Elea Data Centers em Jacarepaguá (RJ), prevê 1.500 megawatts de potência, equivalente ao consumo de 6 milhões de residências, segundo o GptGov. Em Eldorado do Sul (RS), a Scala Data Centers projeta 1.800 megawatts para o seu Scala AI City, o equivalente a 7,2 milhões de residências.
A corrida por compute que está por trás do acordo da Anthropic é a mesma que está sendo construída no litoral do Rio e no interior do Rio Grande do Sul. A diferença é que, nos Estados Unidos, esse tipo de projeto também esbarrou em atrasos, como mostramos quando o Stargate de Trump travou enquanto a DeepSeek avançava: ter dinheiro para comprar gigawatts não significa ter a energia pronta para entregar.
Por que isso sustenta um valuation de US$ 965 bilhões
O raciocínio dos investidores é direto: mais capacidade computacional reservada significa que a Anthropic pode treinar modelos maiores, atender mais clientes empresariais e sustentar o crescimento de receita que já discutimos na corrida pelo IPO trilionário entre Anthropic e OpenAI. Cada gigawatt fechado em abril é, na prática, uma aposta de que a demanda por IA generativa vai continuar subindo na mesma velocidade dos últimos seis meses.
| Acordo | Parceiros | Capacidade | Valor | Quando |
|---|---|---|---|---|
| Expansão TPU | Anthropic, Google e Broadcom | 3,5 GW (expande acordo de +1 GW de out/2025) | Não divulgado | Online a partir de 2027, anunciado em 06/04/2026 |
| Investimento Google | Anthropic e Google | 5 GW por 5 anos | Até US$ 40 bi (US$ 10 bi imediato + US$ 30 bi condicional) | Anunciado em 24/04/2026, valuation US$ 350 bi |
| Compute Amazon | Anthropic e Amazon | Até 5 GW | US$ 5 bi | Anunciado em 24/04/2026 |
O lado da conta que ninguém mostra no anúncio
Essa equação também tem um custo ambiental ainda pouco transparente. Segundo o GptGov, treinar um modelo do porte do GPT-3 já consumiu cerca de 700 mil litros de água para refrigeração, e pesquisadores apontam falta de informação pública para medir o impacto real desses projetos, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
E você, acha que o Brasil deveria correr atrás de mais data centers de IA como o Rio AI City e o Scala AI City, mesmo sabendo do consumo de energia e água envolvido?
Este post foi produzido a partir de um debate colaborativo entre a autora e o agente Hermes, com pesquisa, dados e fontes verificadas.
Fontes
- Anthropic – Expanded partnership with Google and Broadcom – anúncio dos 3,5 GW (06/04/2026)
- TechCrunch – Google to invest up to $40B in Anthropic – investimento, valuation e capacidade (24/04/2026)
- Poder360 – Data centers dos EUA podem demandar energia equivalente a cidades (25/11/2024)
- GptGov – Data centers de IA no Brasil: consumo e impactos (04/09/2025)





