Apple se rende ao Google: a nova Siri roda em Gemini e custa US$ 1 bilhão por ano

Na WWDC 2026, a Apple reconstruiu a Siri sobre o Gemini do Google e paga US$ 1 bilhão por ano. Veja o que muda no seu iPhone.

Dois iPhones com o logo da Apple, ilustrando a nova Siri apresentada na WWDC 2026

Na manhã desta segunda, 8 de junho, a Apple abriu a WWDC 2026 no Apple Park, em Cupertino, com o anúncio que vinha prometendo e adiando há dois anos: uma Siri totalmente reconstruída, que agora roda sobre um modelo Gemini customizado do Google. Sim, você leu certo: a assistente da Apple passou a depender da inteligência artificial da maior rival.

Para uma empresa que passou uma década insistindo que faria IA do seu próprio jeito, pagar a concorrente para tocar o recurso principal do iPhone é uma rendição e tanto. E o valor envolvido não é nada simbólico. Eu venho acompanhando essa virada e já contei por aqui como a IA mudou de patamar em 2026, mas confesso que essa não estava no meu mapa.

Dois iPhones com o logo da Apple, ilustrando a nova Siri apresentada na WWDC 2026
Crédito: Omale03 via Pexels

US$ 1 bilhão por ano para alugar o cérebro do rival

O número apareceu repetido em veículo após veículo, sempre igual: a Apple vai pagar cerca de US$ 1 bilhão por ano ao Google, num acordo plurianual, por uma versão customizada do Gemini com aproximadamente 1,2 trilhão de parâmetros. Esse modelo não cabe no seu bolso: as tarefas de raciocínio mais pesadas são roteadas para o Google Cloud, rodando em GPUs Nvidia Blackwell B200.

Internamente, a Apple batizou a família de AFM, de Apple Foundation Models: cinco versões destiladas do Gemini, chamadas Core, Core Advanced, Cloud, Cloud Pro e Cloud Image. Amar Subramanya, vice-presidente de IA, disse que o AFM Cloud Pro entrega qualidade “similar” aos modelos Gemini de ponta. Traduzindo o marketing: o motor é do Google, a embalagem é da Apple. Não deixa de ser irônico para quem acompanha a corrida bilionária entre as empresas de IA rumo à bolsa.

Racks de servidores em data center, representando o Google Cloud que roda o modelo Gemini da nova Siri
Crédito: cookiecutter via Pexels

Como ficam os seus dados nessa história

A pergunta óbvia é: se a Siri manda as minhas perguntas para o Google, quem lê isso? A Apple desenhou uma arquitetura de três camadas para responder. Tarefas simples ficam no próprio aparelho. Pedidos de complexidade média vão para os servidores Private Cloud Compute da Apple. Só o raciocínio pesado chega ao Google Cloud e, segundo a empresa, as consultas são anonimizadas, têm o vínculo com o Apple ID removido e são tokenizadas antes de sair, de modo que nem funcionários da Apple nem do Google conseguem ligar um pedido a uma pessoa.

Craig Federighi, vice-presidente de software, foi categórico no palco: “We use none of the models that Google deploys to its customers. Your requests are completely private to you. They’re never stored. They’re never accessible to anyone.” Soa bem. Resta ver se a prática vai acompanhar o discurso, ainda mais numa época em que a própria IA do Google está mudando como a internet funciona.

A Siri que vai chegar ao seu iPhone

Na parte que você vai sentir no dia a dia, a nova Siri vira um aplicativo standalone, com um pop-up “Search or Ask” preso à Dynamic Island. Ela passa a enxergar o que está na sua tela, entende contexto pessoal e executa ações dentro e entre aplicativos, com um recurso chamado “Extensions” no iOS, no iPadOS e no macOS 27, além de integração mais funda com Câmera e Fotos.

Tudo isso vem com o iOS 27, previsto para meados de setembro, depois de um verão de testes beta. O sistema ganha uma nova camada de fluidez abaixo do Liquid Glass, um controle de transparência e contraste e três ferramentas generativas no app Fotos, todas rodando no próprio aparelho: Extend, Enhance e Reframe. Um detalhe que vai doer em muita gente: a linha iPhone 11 perde a elegibilidade.

Cook se despede e Ternus assume o comando

A WWDC deste ano ainda marcou uma transição de peso. Foi a 37ª keynote de Tim Cook como CEO. Em abril, a Apple já havia anunciado que ele passaria a presidente executivo no dia 1º de setembro, com John Ternus, chefe de engenharia de hardware, assumindo o cargo de CEO.

Para fechar, a Apple apresentou o homeOS, um sistema operacional voltado para a casa inteligente, que estreia no HomePad: uma combinação de HomePod com display de 7 polegadas e chip A18, com lançamento esperado para o outono no hemisfério norte. A empresa que prometia IA própria sai da WWDC dependendo do Google para falar e contratando um novo chefe. Foi um dia e tanto em Cupertino.

E você, confiaria a sua Siri a um cérebro do Google, mesmo com a promessa de privacidade, ou isso faz você pensar duas vezes antes de atualizar o iPhone?

Este post foi produzido a partir de um debate colaborativo entre a autora e o agente Hermes, com pesquisa, dados e fontes verificadas.

Fontes

  • The Next Web — Apple reconstrói a Siri sobre o Gemini do Google e chips Nvidia (08/06/2026)
  • Tech Times — Siri reconstruída em Gemini, homeOS e a despedida de Cook na keynote (08/06/2026)
  • RedShark News — Nova Siri, acordo com o Gemini e iOS 27 (08/06/2026)

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