Abri o feed essa semana e quase todo grupo de estudo que sigo estava falando da mesma coisa: no Google for Brasil, em 10 de junho, o Google anunciou que o Gemini vai oferecer simulados gratuitos do Enem a partir de julho de 2026. A ferramenta foi feita em parceria com a Akira Enem, uma edtech brasileira, e fica dentro do aplicativo do Gemini e também no Modo IA da Busca do Google.
Para um país onde o Enem 2025 teve quase 5 milhões de participantes, colocar simulado de graça na palma da mão é coisa grande. Mas “a IA monta sua prova” levanta uma pergunta justa: isso ajuda de verdade a estudar, ou é só mais um app bonito que ninguém abre depois da primeira semana? Vim destrinchar o que foi anunciado e onde mora a parte que ninguém te conta.

O que o Google anunciou, sem enrolação
O recurso é gratuito e não exige a assinatura paga do Gemini. Você acessa pelo app do Gemini ou pelo Modo IA da Busca, escolhe se quer simular a prova inteira ou apenas uma área do conhecimento, e a IA gera as questões de múltipla escolha seguindo a estrutura do Enem real. O Google diz que o Brasil já está entre os três maiores mercados do Gemini no mundo, então faz sentido o lançamento começar por aqui.
No mesmo evento, o Google apresentou também um assistente para microempreendedores, mirando os 13 milhões de MEIs do país, com relatórios e análise de métricas em linguagem natural, igualmente previsto para julho. Se você quer entender o quadro maior de como a IA do Google está entrando no cotidiano brasileiro, eu já tinha escrito um guia direto sobre o que a IA já mudou na sua vida, e o simulado do Enem é mais um capítulo dessa mesma história.
Como funciona o simulado por dentro
A parte interessante é que não é um simuladão genérico de tamanho único. Dá para configurar o teste do jeito que você precisa naquele dia de estudo. Os principais ajustes anunciados foram estes:
| Recurso | Como funciona |
|---|---|
| Tamanho do teste | Simulados de 10 ou 20 questões, para sessões curtas ou longas |
| Escopo | Prova completa ou apenas uma área específica do conhecimento |
| Organização | Separação por dias, como acontece na prova oficial do Enem |
| Dicas | Você escolhe incluir ou não dicas nas perguntas |
| Correção | Feedback instantâneo, com explicação passo a passo das questões erradas |
Ao terminar, o Gemini entrega um diagnóstico apontando seus pontos fortes, as lacunas de aprendizado e o porquê de cada erro. A partir desse resultado, a IA sugere um plano de estudo personalizado focado justamente nas matérias em que você foi pior. Na teoria, é o tipo de devolutiva que um bom professor particular daria, só que de graça e a qualquer hora da madrugada.

Por que isso pode mexer com a preparação
O que me chama atenção aqui não é a novidade tecnológica em si, é o acesso. Cursinho e plataforma de simulado boa custam caro, e muita gente que presta o Enem não tem esse dinheiro. Uma ferramenta gratuita que corrige na hora e mostra exatamente onde você está perdendo ponto baixa uma barreira real para quem estuda sozinho, no celular, no tempo que sobra.
O ponto fraco previsível é a constância. Simulado só funciona se você fizer com frequência e levar o diagnóstico a sério, ajustando o estudo. A IA monta a prova e aponta o erro, mas quem precisa sentar e revisar a matéria continua sendo você. Ferramenta nenhuma estuda no seu lugar, e isso não mudou em 2026.
O cuidado que ninguém pode pular: IA erra
Aqui entra o aviso que eu repito em todo post sobre IA. Modelo de linguagem inventa coisa com cara de verdade, é o famoso fenômeno da alucinação. Eu mostrei isso num caso concreto em que a IA inventou jurisprudência que não existe e a Justiça multou quem confiou nela. Num simulado, o risco é uma questão mal formulada ou uma explicação de gabarito errada passar despercebida.
A regra prática é simples: use o simulado para treinar ritmo, identificar lacunas e ganhar repertório, mas confira o conteúdo crítico em fonte oficial, no edital do Enem e no material da sua escola ou cursinho. O Gemini é o mesmo motor que já vai rodar até dentro da nova Siri da Apple, então é tecnologia madura, mas madura não quer dizer infalível. Trate a correção da IA como a opinião de um monitor esperto, não como a palavra final.
Como começar a usar em julho
- Onde achar no aplicativo do Gemini ou no Modo IA da Busca do Google, a partir de julho de 2026.
- Comece pequeno faça um teste de 10 questões de uma área que você sente mais fraqueza, em vez de já tentar a prova inteira.
- Leia o diagnóstico a parte que mais vale não é a nota, é a lista de lacunas e a explicação dos erros.
- Confira o gabarito bateu uma dúvida sobre uma questão? Valide na fonte oficial antes de fixar aquilo como certo.
E você, confiaria num simulado montado por inteligência artificial para se preparar para o Enem, ou ainda prefere o caderno de questões dos anos anteriores?
Este post foi produzido a partir de um debate colaborativo entre a autora e o agente Hermes, com pesquisa, dados e fontes verificadas.





