Na quinta-feira (11), a revista Veja publicou o que talvez seja o capítulo mais explosivo do caso Banco Master até agora. Daniel Vorcaro afirma, na proposta de delação premiada que apresentou à Polícia Federal e à PGR, ter pago US$ 30 milhões ao senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional. No câmbio atual, o equivalente a cerca de R$ 153,5 milhões, segundo o Estadão. O dinheiro teria entrado em uma conta secreta no exterior como contrapartida por apoio político a uma demanda do banco.
O nome de Alcolumbre amanheceu nesta sexta (12) entre os assuntos mais buscados do Google no Brasil, e faz sentido: não é todo dia que o presidente do Senado aparece citado em uma acusação desse tamanho, feita por um banqueiro preso que tenta negociar a própria pena. Eu acompanho o caso Master desde novembro e já escrevi aqui que o escândalo tinha potencial de mudar o rumo das eleições. O que saiu agora só reforça a tese.

O que Vorcaro diz ter pago, e para quem
Segundo a reportagem da Veja, repercutida pelo Estadão e pela Gazeta Brasil, Vorcaro relata que os US$ 30 milhões foram transferidos por meio de uma conta no exterior e que a operação teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. Em troca, Alcolumbre teria dado apoio político a interesses do Master.
O relato não para no presidente do Senado. A Gazeta Brasil cita ainda uma transação de R$ 15 milhões classificada como completamente fora de padrão envolvendo um integrante do Judiciário. E a CNN Brasil apurou que a segunda versão da proposta incluía o financiamento de um filme a pedido do senador Flávio Bolsonaro e pagamentos periódicos ao senador Ciro Nogueira. Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Cláudio Castro, ex-governador do Rio, também aparecem entre os citados.
A PF disse não. Duas vezes.
A primeira proposta de delação foi rejeitada em 20 de maio. Para os investigadores, segundo a CNN Brasil, o material era superficial e omitia informações sobre aliados políticos. A Agência Brasil registrou na época que os agentes federais julgaram as informações inconsistentes quando confrontadas com as provas reunidas desde 2024, e que a decisão foi comunicada ao ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF.
A defesa voltou à mesa: entregou uma segunda versão, reformulada e ampliada, em reunião em Brasília no dia 1º de junho, com um adendo no dia seguinte. Não adiantou. Os delegados comunicaram aos advogados na quarta-feira (10) que a nova versão também foi rejeitada, ainda de acordo com a CNN Brasil.
O jogo, porém, não acabou. A PGR mantém a análise do material em curso, sem prazo definido, e o procurador-geral Paulo Gonet orientou a equipe a tratar o caso com cautela, conforme o Estadão. Já a defesa de Vorcaro reclama do que chama de movimento de bastidores para inviabilizar o acordo, segundo a Gazeta Brasil.

Alcolumbre reage: “jamais recebeu valores”
A resposta veio no mesmo dia 11, em nota divulgada pela assessoria da presidência do Senado e publicada pelo Metrópoles. O texto afirma que “o senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior”, que as acusações “são absolutamente falsas, não procedem” e que serão “enfrentadas com a máxima firmeza”.
A nota promete ainda que “serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis” e encerra com a frase de que “a verdade dos fatos prevalecerá”. Ou seja: o presidente do Congresso escolheu o confronto total com a versão do banqueiro.
O braço baiano: CredCesta, Rui Costa e um decreto de 2022
Outro eixo das revelações olha para a Bahia. Segundo a Gazeta Brasil, a relação do Master com o governo do estado começou em 2007, ainda na gestão de Jaques Wagner, por meio do CredCesta, o sistema de crédito consignado dos servidores estaduais.
O detalhe que chama atenção: em 2022, na gestão de Rui Costa, um decreto estadual restringiu a portabilidade dessas dívidas para outros bancos. Na prática, os servidores endividados ficaram presos ao sistema operado pelo banco de Vorcaro. Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, é citado pelo banqueiro justamente ao tratar da expansão do Master no estado.
Linha do tempo do caso
| Quando | O que aconteceu |
|---|---|
| Novembro de 2025 | Banco Central liquida extrajudicialmente o Master; Vorcaro é preso em 18/11 e solto após 10 dias |
| 4 de março de 2026 | Segunda prisão; Vorcaro vai para a Penitenciária Federal de Brasília |
| 20 de maio | PF rejeita a primeira proposta de delação |
| 1º e 2 de junho | Defesa entrega segunda versão à PF e à PGR, com adendo |
| 10 de junho | PF comunica aos advogados a rejeição da segunda versão |
| 11 de junho | Veja publica as acusações contra Alcolumbre; senador nega em nota |
Por que isso pesa tanto em ano eleitoral
O caso Master deixou de ser uma história sobre um banco quebrado há muito tempo. Ele já corroeu candidaturas: mostrei aqui como os números de Flávio Bolsonaro despencaram conforme a crise avançava e como Lula abriu vantagem enquanto o escândalo se aprofundava. Agora a onda bate no presidente do Congresso e em um ministro do governo ao mesmo tempo.
E aqui está o ponto que me parece central: mesmo rejeitada pela PF, a delação já produziu efeito político. As acusações estão na praça, os citados gastam capital político para se defender e a PGR segue com o material na mesa. Em um país a meses de uma eleição presidencial, cada nome novo que sai dessa proposta de delação vira munição de campanha, com ou sem acordo assinado.
E você, acredita que a delação de Vorcaro ainda sai do papel, ou acha que o caso Master vai esfriar antes de respingar em quem está no topo?
Este post foi produzido a partir de um debate colaborativo entre a autora e o agente Hermes, com pesquisa, dados e fontes verificadas.
Fontes
- O Liberal / Estadão : Proposta de delação tem acusação de propina de US$ 30 mi a Alcolumbre (12/06/2026)
- Gazeta Brasil : PT e Alcolumbre no centro das novas revelações de Vorcaro (11/06/2026)
- Metrópoles : Alcolumbre se manifesta e diz que jamais recebeu valores de Vorcaro (11/06/2026)
- CNN Brasil : PF rejeita nova versão de proposta de delação de Vorcaro (10/06/2026)
- Agência Brasil : Polícia Federal recusa proposta de delação premiada de Vorcaro (21/05/2026)





